Contador de Visitas

Mostrando postagens com marcador Apresentações de Exposições Fotográficas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Apresentações de Exposições Fotográficas. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de maio de 2009

15 anos do GREM - Projeto MEMÓRIA DO GREM

*
Em continuidade ao Projeto MEMÓRIA DO GREM, nas comemorações dos seus 15 anos de atividade, se publica mais uma Apresentação na série de apresentações à exposições fotográficas. Desta feita é publicada a Apresentação Mostra Ensaio para a revista Caros Amigos, em 1998.
*

MOSTRA ENSAIO
*
Mauro Guilherme Pinheiro Koury
*


A fotografia revela e esconde simultaneamente, em um misto de arte e realidade onde o olhar reflexivo é capturado primeiramente como estética absolutamente sentimental sobre o processo de visão de uma realidade - fotográfica, - na qual se debruça. O real da foto é singularmente a realidade que a foto apresenta, que se mistura ao olhar que vê e a realidade imaginária das relações que fundam esse olhar, como uma curva de vida particular. A realidade fotográfica é, assim, sempre uma construção estética amparada nas configurações do real de vários olhares que fundam a constituição final do produto fotografia no público. Sempre uma construção social, por embaralhar nos diversos olhares que a compuseram, singularidades imaginárias da constituição de um povo, que apresenta os elementos necessários à compreensão comum de olhares singulares sobre o mesmo conjunto e, ao mesmo tempo, instituição da diferença pela especificidade que cada olhar possui, pelas experiências diversas que o alinham a um núcleo comum mas o faz também único - indivíduo singular, sujeito de suas experiências, criador.
*
Essencialmente simbólico o jogo, no qual o fotográfico se apresenta enquanto construção social, revela a polifonia de possibilidades na constituição de um mundo comum. Revela a multiplicidade de cumplicidades que faz o olhar único ser compartilhado como olhares simultâneos e comuns necessários à prática de uma sociabilidade. Revela, enfim, a sensibilidade do olhar que captura recortes e ângulos da multifacetada face do cotidiano fazer dos homens, onde se debruçam outras sensibilidades em olhares que observam o produto capturado e o remete a novas singularidades expressivas da reflexão onde se estabelecem as bases da compreensão e do pensamento.
*
O perigo do jogo desses diversos olhares é quando o objeto ganha autonomia, submetendo os olhares ao próprio objeto. O configurando, não como construção sempre em modificações, sempre em processo, como o real efetivo. Como a verdade sob a qual o olhar se subsume e se faz visão. Quando esconde o jogo de criação simbólica dos homens enquanto criadores e os fazem produtos da técnica. É o outro lado da potencialidade da fotografia, enquanto instrumento simbólico manipulável na conformação hegemônica de uma dominação social.
*
As duas facetas da fotografia, enquanto criação e enquanto subsunção do olhar, demonstram o fascínio que exerce o ato fotográfico para o social e para o pensar as estruturas elementares da constituição desse social. Em um e no outro a polifonia de recortes, de símbolos, de valores, dos significados intrínsecos atribuídos ao não percebido por ser banal ou por não estar ao alcance, a universalidade e a globalidade do particular distante como singular local, complexificam o olhar que captura e o olhar que vê o objeto presente em uma realidade fotográfica.
*
Cientes da ambigüidade que provoca no olhar e no próprio ato fotográfico a fotografia, a Agência Ensaio na cidade de João Pessoa - Paraíba, se debruça em um projeto ambicioso e importantíssimo de documentação fotográfica da região do Nordeste do Brasil. Há cinco anos desenvolve um projeto documental da vida ordinária dos homens e mulheres comuns das pequenas comunidades nordestinas ou perdidas no emaranhado dos centros urbanos mais importantes.
*
Mulheres anciãs com rostos marcados pela difícil arte de sobreviver na região, mas com olhares determinados apesar do cansaço; a estrutura familiar de uma sala de visita do interior, com sua multifacetada estruturas de símbolos que marcam a tradição familiar do passado através dos retratos dos filhos e de si próprios na juventude, além de mostrarem a inclusão na modernidade capitalista, de um tempo imposto ao tempo circular, pela folhinha-calendário e as incursões religiosas nos santos afixados de devoção. Ou no velho sanfoneiro transvestido em seu uniforme de artista e seu instrumento de trabalho. Ou ainda o lazer nos intervalos da labuta e o comportamento infantil, no mergulho ousado nas águas do rio ou nas brincadeiras na praça: do menino e sua sombra. Ou, enfim, na brincadeira de branco e preto para o olhar, que se surpreende até compreender freiras com seus hábitos reunidas a orar.
*
Fotos de Ricardo Peixoto, Mano de Carvalho e Marcos Veloso, fotógrafos paraibanos que fazem a Agencia Ensaio, nesta Mostra Ensaio, em que apresentam com sensibilidade e apuro técnico, a arte de captação multifacetada das manifestações de singularidades de um povo e de suas experiências individuais de criação e vida. Que trabalham a fotografia como arte documental, cientes que são das construções imagéticas do registros e de sua realidade como real fotográfico.
*
**
*

sábado, 16 de maio de 2009

15 anos do GREM - Projeto MEMÓRIA DO GREM

*
Dando continuidade ao Projeto Memória do GREM: Série de Apresentações de Exposições fotográficas, se publica agora a Apresentação feita pelo Professor Mauro Guilherme Pinheiro Koury, a pedido da Agência Ensaio, da cidade de João Pessoa, Paraíba, para a Exposição Fotográfica: Expedição Fotográfica/Roma. Esta exposição resultou de uma expedição de fotógrafos profissionais e amadores ao destrito de Roma, no município de Bananeiras, Paraíba, comandada pela Agência Ensaio, no ano de 1996.
*
Exposição Expedição Fotográfica/Roma

*

Mauro Guilherme Pinheiro Koury

*

Roma. Expedição fotográfica a Roma. João Pessoa ruma à Roma, descobrindo a Paraíba e o Brasil. Olhares fotográficos viajantes e livres que vão compondo e decompondo com seus clicares a comunidade de Roma, distrito e fazenda pertencentes ao município de Bananeiras (Pb).
*
A casa grande, a casa de farinha, a destilaria de aguardente, a festa nas ruas de Roma, o casario de Roma, a paisagem de Roma, os tipos humanos pegos displicentemente ou em poses para as câmaras, o cabaré, as palmeiras, os capins e o céu nublado que escondem descobrindo o cruzeiro e a torre da igrejinha colonial, o túnel, pequenos alpendres, recortes de flores e folhas que vicejam a paisagem de Roma, os animais e os fardos humanos dos animais agora instrumentos, alongamento da força e da capacidade dos homens que os utilizam. Os interiores, os detalhes de corpos e de intimidades domésticas (ou nem tanto), a luz que vaza a escuridão por gradís, frestas e janelas permitindo ver detalhes de alambiques, das moendas, dos utensílios domésticos nos interiores, e deixando flagrar indiscreta pedaços de paisagens e passantes, ou daqueles que se permitem o olhar sorrateiro e a inesperada e ao mesmo tempo esperada presença corpórea, de pessoas meio posando meio que se inserindo no recorte que as fotos permitem desenhar.
*
Como em Roma de Fellini, descobrindo a cidade e encontrando o país e a nação italiana através da liberdade de olhares aparentemente fragmentados do cotidiano e dos espaços exclusivos e de exclusão, a Expedição a Roma de Bananeiras (Pb) realizada pela Agência Ensaio, proporciona a descoberta de um país, de uma nação e de um estado, através da abertura dos diafragmas à liberdade dos olhares de um grupo diverso de fotógrafos amadores e profissionais que recortaram a comunidade de Roma em busca de aperfeiçoar sua técnica e conhecimento no ensaio fotográfico. O resultado é um surpreendente encontro com um Brasil multifacetado e ao mesmo tempo despudoradamente território de identidades, de tradições reconhecíveis através da sensualidade, do lúdico e da tristeza alegre que do coletivo das fotos emanam, e pela luminosidade intensa de suas paisagens, e pelo homem redimensionado, criando imagens que encantam e ampliam e instigam o olhar que vê.
*
A Expedição a Roma é uma viagem ao coração do Brasil através de olhares que buscam também o encontro consigo, como nas brincadeiras e farras do registro do grupo pelo grupo mesmo em atuação. Fotógrafos e paisagens formam, enfim, uma espécie de caledoscópio onde a cada giro funda as bases do nascimento e formação do humano e da sociedade no Brasil, refletindo criticamente também o próprio olhar que permitiu o registro e as possibilidades de leitura. Uma brincadeira que, como a Roma de Fellini descobre a si mesma pela polifonia de imagens estrangeiras que se estranham e se comungam simultaneamente, fazendo a cidade cidades que a tornam nacional e universal e, confusamente ela mesma, descobre a nação ou um sentido de nacionalidade na diluição da comunidade de Roma por olhares livres e abertos ao aconchego novo que provocam os clicares.
*
**
*

sexta-feira, 15 de maio de 2009

15 anos do GREM - Projeto MEMÓRIA DO GREM

*
Ainda nas comemorações dos 15 anos do GREM, este Blog divulga algumas de uma série de apresentações de exposições fotográficas feitas pelo Professor Mauro Guilherme Pinheiro Koury para a Agencia Ensaio, que reune um excelente grupo de fotógrafos documentais na cidade de João Pessoa, Paraíba, Brasil.
*
A primeira Apresentação aqui publicada, intitulada Cumplicidades do Olhar Compartilhado, abaixo, foi feita a pedido da Agencia para acompanhar a exposição documental do projeto Cidadãos do Mundo, que reflete o cotidiano de crianças nas ruas de João Pessoa. Esta exposição aconteceu na cidade de João Pessoa no ano 2000 e de lá seguiu para diversas capitais de estados brasileiros e ganhou um percurso internacional.
*
Cumplicidades Do Olhar Compartilhado

Mauro Guilherme Pinheiro Koury


A realidade fotográfica é sempre uma construção estética, amparada nas configurações do real de vários olhares. Olhares que fundam ao mesmo tempo em que recriam, em um movimento sempre constante, a constituição final do produto fotografia no público. A realidade presente na fotografia exposta é, assim, uma construção em permanente redefinição pelos olhares dos diversos observadores que a apreendem, e sobre ela dedicam um processo de reflexão e tomada de posição sensível e objetiva, ligada à curva de vida e o ponto de vista de cada um.
*
É sempre uma construção social, por embaralhar, nos diversos olhares que a compuseram, singularidades imaginárias da constituição de um povo. Apresenta os elementos necessários à compreensão comum de olhares singulares sobre o mesmo conjunto e, ao mesmo tempo, institui a diferença pela especificidade que cada olhar possui pelas experiências diversas que o alinham a um núcleo comum, mas o faz também único, singular, sujeito de suas experiências, criador.
*
Essencialmente simbólico, o jogo no qual o fotográfico se apresenta enquanto construção social revela a polifonia de possibilidades na constituição de um mundo comum, na expressão de Hannah Arendt no seu livro The human condition (Chicago, University of Chicago Press, 1970). Revela a multiplicidade de cumplicidades que faz o olhar único ser compartilhado como olhares simultâneos e comuns necessários à prática de uma sociabilidade.
*
Revela, enfim, a sensibilidade do olhar que captura ângulos e recortes da multifacetada face do cotidiano fazer dos homens, onde se debruçam outras sensibilidades em olhares que observam o produto capturado e o remete a novas singularidades expressivas da reflexão em que se estabelecem as bases da compreensão e do pensamento.
*
A fotografia de um grupo de fotógrafos da Agencia Ensaio, na cidade de João Pessoa, capital da Paraíba, apresenta com sensibilidade e apuro técnico a arte de captação multifacetada das manifestações de singularidades de uma sociedade e de experiências individuais de criação e vida nela presentes. Estes fotógrafos trabalham a fotografia como arte documental, cientes que são das construções imagéticas dos registros e de sua realidade como real fotográfico.
*
Ciente da ambigüidade que provoca no olhar e no próprio ato fotográfico a fotografia, este grupo de fotógrafos se debruça em um projeto ambicioso e importantíssimo de documentação fotográfica sem fronteiras, a partir da região Nordeste do Brasil. Desde 1995 este grupo desenvolve um projeto documental da vida ordinária dos homens e mulheres comuns das pequenas comunidades do mundo ou perdidas no emaranhado dos centros urbanos mais importantes.
*
O atual projeto Cidadãos do Mundo, - agora com exposição nesta capital e com exposições marcadas em várias outras capitais de estados brasileiros e na Alemanha, França e Suécia, neste ano de 2000, início do século XXI, - reflete não apenas crianças pobres e crianças em situação de rua na visão importante, porém, simplista da denúncia e da carência social pura e simplesmente, mas, crianças de e na rua em situação de vida. O infantil espetáculo do transformar cotidiano o grande palco da rua em espaço de vivência: onde exercitam brincadeiras, folguedos, festas, trocas, anseios e, também, desamparo, solidão, dor, além de sonhos, sobretudo sonhos.
*
O lazer nos intervalos da labuta, o comportamento infantil nos folguedos e na dor são evocados, seja no mergulho ousado nas águas do rio e do mar, seja no desamparo de crianças solitárias e contemplativas em espaços abertos de concreto armado da modernidade.
*
A fotografia parece, assim, revelar e esconder simultaneamente. Joga na e com a mistura de arte e realidade, onde o olhar reflexivo é capturado, primeiramente, como estético absolutamente sentimental sobre o processo de visão de uma realidade – a fotográfica, - na qual se debruça. As brincadeiras na praça de um menino e sua sombra, as colagens de sombra e gente confundidas no exercício do branco e preto para o olhar, que se surpreende até compreender, são exemplares na demonstração desse jogo que, com maestria, faz a construção fotográfica.
*
O real da foto parece ser singularmente a realidade que a foto apresenta e que se mistura ao olhar que vê e na realidade imaginária das relações que fundam esse olhar, como uma curva de vida ao mesmo tempo particular e social.
*
Este jogo esta presente no projeto Cidadãos do Mundo. Está representado na captura do sempre singular e sugestivo gesto infantil de olhar pelas frestas de portas, ou no rosto de criança travessa que se sobressai no buraco de uma lona. Encontra-se evocado nos carrinhos de madeira expostos à venda como que povoando a imaginação infantil no bric à brac da rica transformação popular de caixotes abandonados em brinquedos, ou na solidão e na tristeza infantil de crianças aconchegando-se a umbrais de portas comerciais fechadas de uma cidade preparada para mais um final de dia, revelando a dor, o abandono e a melancolia de relações injustas que exclui.
*
A polifonia de recortes, de símbolos, de valores, dos significados intrínsecos atribuídos ao não percebido por ser banal ou por não estar ao alcance, e a universalidade e a globalidade do particular distante como singular local, complexificam o olhar que captura e o olhar que vê o objeto presente em uma realidade fotográfica sempre impactante de humanidade. O projeto Cidadãos do Mundo demonstra, enfim, a arte do registro fotográfico e a sua importância para o social e para o pensar as estruturas elementares da constituição desse social, na sensibilidade estética que provoca e evoca.
*
Exercício fundamental, necessário, em um país carente de memória e com excesso de clichês como o Brasil.
*
**
***
**
*